Quando a dor não tem escala: o luto pela perda de um pet e a busca por acolhimento

Dados científicos reforçam a profundidade do vínculo emocional com os bichos de estimação

Publicado em 02 de outubro de 2026Escrito por Daly Ruiz
Quando a dor não tem escala: o luto pela perda de um pet e a busca por acolhimento

A data 4 de outubro, marcada globalmente como o Dia Mundial dos Animais, costuma ser dedicada a celebrar a alegria, o companheirismo e a proteção aos bichos. No entanto, também abre espaço para a reflexão sobre um aspecto profundo e muitas vezes silenciado dessa convivência: o impacto devastador de dizer adeus a um companheiro de quatro patas.

Um estudo científico publicado na revista PLOS ONE revelou um dado impressionante. Entre pessoas que já enfrentaram tanto a perda de um animal de estimação quanto a de alguém próximo, 21% afirmaram que a morte do pet foi a experiência mais dolorosa já vivenciada.

Para a maioria dos tutores, o animal de estimação não é apenas um "bicho", mas um membro central da dinâmica familiar. A relação com os pets é marcada por um afeto puro, diário e desprovido de julgamentos ou ambiguidades, características raramente encontradas nas interações humanas complexas.

Quando um pet parte, o tutor não perde apenas a presença física do animal, mas também uma rotina estruturada de cuidados, recepções calorosas ao chegar em casa e uma fonte incondicional de conforto emocional. Esse cenário, muitas vezes, leva ao chamado "luto não franqueado" (disfranchised grief), um tipo de dor que a sociedade tende a diminuir com frases como "era só um cachorro" ou "é só comprar outro", isolando ainda mais o enlutado em seu sofrimento.

Embora a tristeza, o choro, a negação e a saudade sejam respostas naturais e esperadas diante de uma perda significativa, existe uma linha tênue entre o processo normal de luto e um quadro que demanda intervenção especializada. Quando a dor paralisa a rotina por longos períodos, compromete o sono, o apetite, a capacidade de trabalhar ou desencadeia sintomas depressivos persistentes, a dor do luto precisa ser acolhida por profissionais de saúde mental.

A professora do curso de Psicologia da UNINORTE, Thalita Coser, destaca a importância do acolhimento terapêutico para atravessar esse momento sem culpa ou isolamento. "A dor pela perda de um animal de estimação é legítima e reflete a profundeza do vínculo construído ao longo dos anos. Muitas vezes, a pessoa enfrenta esse momento em silêncio por medo do julgamento alheio. O apoio psicológico surge como um espaço seguro e livre de invalidações, onde a pessoa pode elaborar a saudade, ressignificar a rotina e processar a dor no seu próprio tempo, compreendendo que sentir profundamente a partida de um companheiro de vida é uma demonstração natural de afeto e humanidade", explica a psicóloga.

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